O vôo sobre as Igrejas
Vamos até à Matriz de Antônio Dias
Onde repousa, pó sem esperança, pó sem lembrança, o Aleijadinho.
Vamos subindo em procissão a lenta ladeira.
Padres e anjos, santos e bispos nos acompanham
e tornam mais rica, tornam mais grave a romaria de assombração.
Mas já não há fantasmas no dia claro,
tudo é tão simples,
tudo tão nu,as cores e cheiros do presente são tão fortes e tão urgentes
que nem se percebem catingas e rouges, boduns e ouros do século 18.
Vamos subindo, vamos deixando a terra lá embaixo.
Nesta subida só serafins, só querubins fogem conosco,
de róseas faces, de nádegas róseas e rechonchudas,
empunham coroas, entoam cantos, riscam ornatos no azul autêntico.
Este mulato de gênio
lavou na pedra-sabão
todos os nossos pecados,
as nossas luxúrias todas,
e esse tropel de desejos,
essa ânsia de ir para o céu
e de pecar mais na terra;
este mulato de gênio
subiu nas asas da fama,
teve dinheiro, mulher,
escravo, comida farta,
teve também escorbuto
e morreu sem consolação.
Vamos subindo nessa viagem, vamos deixando
na torre mais alta o sino que tange, o som que se perde,
devotas de luto que batem joelhos, o sacristão que limpa os altares,
os mortos que pensam, sós, em silêncio, nas catacumbas e sacristias,
São Jorge com seu ginete,
o deus coberto de chagas, a virgem cortada de espadas,
e os passos da paixão, que jazem inertes na solidão.
Era uma vez um Aleijadinho,
não tinha dedo, não tinha mão,
raiva e cinzel, lá isso tinha,
era uma vez um Aleijadinho,
era uma vez muitas igrejas
com muitos paraísos e muitos infernos,
era uma vez São João, Ouro Preto,
Mariana, Sabará, Congonhas,
era uma vez muitas cidades
e o Aleijadinho era uma vez.
"Brejo das almas", de Carlos Drummond de Andrade, foi publicado em 1934 e foi muitas vezes considerado pela crítica um livro à sombra do restante da aclamada obra desse autor. Contudo, hoje este livro é de fundamental importância para que se possa acompanhar o desenvolvimento da obra drummondiana.Mais aqui






São João del Rey, Ouro Preto, Tiradentes... Ai que vontade de conhecer estas cidades, acho que me perderia por aí.
ResponderExcluirE aí ficaria, e moraria, e teria uma linda casinha decorada com essas maravilhosas peças de artesanato local, e comeria essas comidas fantásticas que por aí se encontra, e contaria "causos" também fantásticos...
Foi o que fiz, neste tempinho de lida.
Muitos beijos, amiga.
Querida,
ResponderExcluirSó "pra variar" você me entendeu "profundamente".
Quis falar nesse post da "mineiridade toda junta" que forma a minha pessoa.
E a gente subiria e desceria aquelas ladeiras todas, tortuosas à luz do dia, misteriosas à luz da lua.
Subiria? Subiremos? Subamos!
Beijos.
Beijos
ResponderExcluirOi, Cla.
ResponderExcluirJá havia comprado o óleo de coco há um mês, mas apenas comecei a consumir na semana passada, depois da matéria do Globo Repórter.
Ainda não posso falar de resultados, já que minha alimentação continua desregrada aos finais de semana, e a academia tem alterado um pouco as rotinas a que estava acostumada com o ponteiro da balança.
Mas quanto ao sabor, como gosto de coco, me é muito agradável.
Costumo passar no pão, e assim acho uma delícia. Acima de 25oC, fica como óleo, é bom para temperar saladas. Abaixo, fica como manteiga. Às vezes, coloco na geladeira, depois tiro...
Ainda não achei nada que diga o melhor horário para consumo, antes, durante ou após as refeições.
Só acho muito caro, R$50,00 o pote de 500g. Mas se for tudo o que dizem...
Vai nos ajudar a subir as tantas ladeiras de Minas, né?
Beijos, amiga.