quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Corajosa!



"Prezada Mirella,


Seu site já está entre os meus favoritos há muito tempo, e sempre o visito para ler os seus posts e depoimentos das outras “meninas” que estão “em recuperação”, mas só hoje li o seu livro (acho que porque eu achava que já tinha conseguido, “e pronto”...)
Corajosa!
Foi a primeira palavra que me veio à mente quando terminei de lê-lo.
Admitir que é gorda, quando isso é tão definitivamente horrível nesse mundo?
Admitir que, ainda que tenha sido magra um dia, depois que engordou - ou porque não se cuidou (por quê fiz isso comigo?); ou porque teve um problema de saúde (por quê comigo?) – simplesmente não é magra mais hoje...
E não será magra amanhã, porque até mesmo “a ciência” comprova que as células de gordura não “morrem” estão sempre lá, ainda que murchinhas, morrendo de “fome”, “coitadinhas”... Ainda assim, estar magra ainda é uma possibilidade...
Admitir a relação do comportamento alimentar com o vício (o que eu até já admiti, mas não “aceitei” até hoje.)
Admitir que o vício tanto nos faz sofrer, quanto faz sofrer aos que nos amam e a quem amamos também.
Se admitir tudo isso, entre outras coisas mais, já é difícil, o que dizer de publicar, distribuir, compartilhar essa história que é sua, mas é também um pouco da minha, e de tantas outras e outros que conhecemos?
Com a sua permissão, gostaria de publicar alguns trechos do seu livro, que baixei do link indicado no seu site, o que agradeço desde já.
Deixarei aqui os links, para que, quem ainda não a conheça possa fazê-lo.
Muito obrigada, e que esse equilíbrio que você conseguiu encontrar – e que passa muito, muito longe de apenas conseguir atingir o peso ideal – seja seu companheiro de caminhada para sempre.
Beijos."





“ENGORDANDO TUDO DE NOVO
Lá vamos nós de volta à casa dos 70 quilos.
Nenhuma roupa cabia mais. Comecei a ficar totalmente desestabilizada de novo. Esqueci que sabia contar os pontos, não queria nem pensar nisso.Minha maior e melhor arma colocada de lado.”





“Pois bem, sem subir na balança, sabendo que tinha engordado, agi como gorda que sou. Passei a não ligar para o tanto que comia porque já tinha engordado mesmo.”
“Em dezembro, seis meses depois,quando nenhuma roupa cabia mais em mim e eu precisava comprar, resolvi criar coragem para fazer o que eu mais temia. Ir a uma farmácia saber finalmente quanto eu estava pesando.”





“Antes de tentar achar roupas que coubessem em mim, fui encarar a hora da verdade. Sabia que tinha engordado muito, mas não sabia quanto. A balança marcou 82 quilos. Eu olhava sem acreditar naquilo. Estava pesando quase a mesma coisa de quando fui para a maternidade com o meu primeiro filho. Tinha engordado 14 quilos em apenas seis meses.”





“Você já parou para pensar que, se não está conseguindo fazer dieta, pode pelo menos ter cautela para não engordar ainda mais? É uma estratégia que eu recomendo, porque podemos comer em boa quantidade, vamos nos livrando dos excessos e vamos nos preparando para reduzir de forma mais drástica a alimentação no futuro. Nós, gordos, sempre dizemos:
"Ah! Mas eu não consigo emagrecer!"
Tudo bem, mas não engorde. Já é um ótimo começo.”





“A ansiedade dava sensação de desespero. Eu bloqueava o pensamento e mudava a sintonia: "Não importa onde vou conseguir chegar, vou ter que perder um quilo de cada vez."





"Sei o que estou comendo e me aperreio se acho que estou engordando." Essa frase dela é muito importante. É fundamental saber o que estamos comendo, mas infelizmente pouquíssimos de nós buscamos acesso a esses conhecimentos que estão ao alcance de todos."





“Finalmente estava dentro do meu peso ideal. Apenas um quilo para minha meta limite. Será que precisava mesmo chegar aos 58?
Alguns pensamentos começaram a martelar minha cabeça. Será que está bom? Será que preciso continuar? Como estava num peso legal, resolvi dar uma treguazinha ao meu corpo enquanto decidia.”
“Estava tudo indo bem, até que meu bebê de um ano pegou minha balança e quebrou jogando no chão. Não tinha mais como me pesar.
“Pois bem, certo dia ganhei um bolo e confesso que não comi ele de uma vez, mas,sempre que podia, comia um pedacinho. Percebi que havia comido calorias a mais nos últimos dias e parti para comprar uma nova balança. Era recente, mas, com as últimas extravagâncias, aumentei um quilo. Podia parecer pouco, mas da mesma forma que se começa a perder com um, se começa a ganhar.”





“Fora de cogitação.“





“Depois de quase três meses apenas mantendo o peso, estava decidido: voltar à dieta e tentar chegar aos 58 quilos. Achei que, com o descanso ao corpo, seria mais fácil voltar a perder pesoe estava certa. Em pouco mais de duas semanas, consegui ver o 61 aparecer na minha balança.
“Poucos meses depois,vi a balança marcar a casa dos 58 quilos. Meu ânimo renovou-se com o grupo Gordas em Recuperação.”





“QUANTA COISA PODE MUDAR
Vergonha de sair de casa, insegurança na hora de tirar a roupa na frente do marido ou namorado, falta de amor próprio, depressão. Aquele desespero por notar que não é mais tão fácil emagrecer como antigamente. Não precisamos passar o resto da vida escravizados por essas sensações. Podemos virar o jogo e vamos virar. Não digo virar o jogo por conseguir emagrecer, isso qualquer gordo sempre consegue. Virar o jogo por não engordar nunca mais.
Tanto faz se temos 36 quilos a perder ou três. Se cada vez que chegamos ao nosso objetivo voltamos a engordar, precisamos nos tornar gordos em recuperação.
Atentos, vigilantes e bem sucedidos.
Comer é bom demais? É nada.
Bom mesmo é estarmos confiantes, sexys, equilibrados, cheios de energia para viver. Se não sentimos nada disso quando engordamos, porque vamos insistir em sentir quando comemos?
Vamos colocar a cabeça no lugar e nos transformar.
Jamais conseguiremos realizar esse verdadeiro milagre interior por causa da cobrança das pessoas ou da vergonha de ser gorda. Mas tudo fica fácil quando conseguimos esquecer o mundo ao nosso redor e valorizamos apenas a nossa força interior.
Podemos tudo que queremos, mas não podemos jamais nos iludir achando que vai ser só conseguir e pronto.
Para sermos vitoriosos, teremos de ser vigilantes quanto as nossas atitudes e pensamentos de gordo eternamente.
No meu caso, as forças que eram necessárias no começo, para resistir, foram dando lugar à tranqüilidade para não desejar. Não estou feliz porque consegui. Estou feliz porque sei que, se quiser conseguir de verdade, não poderei desistir nunca. Vou ter que passar o resto da vida observando e comendo de forma regrada? Vou.
Isso me assusta? Não. É uma maravilha! Uma felicidade!
O que me assustava mesmo era o meu passado desequilibrado e inconstante de gorda sem recuperação.
A mudança é agora. Ela já está acontecendo. Vamos pegar nossa balança, calcular o quanto podemos comer, anotar e somar o quanto estamos comendo e estudar o valor calórico dos alimentos. Não tem erro. É só comermos menos do que gastamos e comemorar
os quilos indo embora. Apagar da mente os pensamentos e desejos equivocados.
Começar uma atividade física, fazer um tratamento em clínica de estética, consultar um médico especialista, um nutricionista.
Usemos todas as armas disponíveis até aprendermos a caminhar sozinhos. Nunca nos esqueçamos de perder peso com saúde. É muito provável que alguns comecem e fraquejem.
Mas não desanimem. Nossa dieta não acaba quando fraquejamos e comemos o que não devemos. Ela só fracassa de verdade quando desistimos após fraquejar.
Sigamos determinados com todas as nossas armas.
Somos gordos em recuperação. Consciência, disciplina e determinação pelo resto da vida ou os quilos de volta. Quem é gordo não tem outra escolha. Agora é com você. Chegou a hora de fazer acontecer.”





O site da Mirella:

5 comentários:

  1. Adorei, acho que vou comprar este livro.
    Leila

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  2. Oi Clarissa!
    Que excelente "compartilhada" que vc deu apresentando a Mirella e seu livro. Nem preciso dizer que me encontrei totalmente nos trechos que vc destacou.
    Super obrigada.
    Bjs

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  3. Clarissa, boa tarde, querida.
    Como está vc? Boa divulgação do livro da Mirella.
    Ele é um Aurélio da língua das gordas.
    Todas nós nos identificamos nele...
    Bom final de semana.

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  4. Não conhecia o site, o livro ou a história da Mirela, Cla.
    Parecia que estava lendo trechos escritos por mim. E a solução? O nosso equilíbrio, né?
    Que bom que já chegamos a ela, agora é seguir em frente...
    Muito obrigada por compartilhar este post.
    Muitos beijos

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  5. Muito bom os trechos, concordo com quase tudo e me faz refletir bastante,tem algumas citações que penso em talvez usar para escrever um texto, veremos :)
    Beijocas,Lu.

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